À medida que o mercado da ótica no México se expande, a boutique Roma Norte oferece às marcas independentes um modelo para ganharem relevância através da seleção de produtos, da hospitalidade e do design.

A oportunidade no segmento de óculos de luxo na América Latina está a tornar-se cada vez mais difícil de ignorar. Prevê-se que o mercado de óculos do México cresça 8,7% ao ano entre 2025 e 2030, de acordo com a Grand View Research. Até mesmo os maiores grupos do setor estão a registar um impulso: a EssilorLuxottica registou um aumento de 8,2% nas receitas na América Latina, a taxas de câmbio constantes, no segundo trimestre de 2025, salientando que o México tinha voltado a crescer.

No entanto, a história mais fascinante da região poderá estar a desenrolar-se fora do sistema dos conglomerados.

Situado na Rua Colima, no bairro de Roma Norte, na Cidade do México, conhecido pelo seu espírito de design, Escópica é, em parte, uma boutique de ótica e, em parte, um espaço cultural de convívio. Fundada em 2010 pelos irmãos Diego e Javier Graue, a empresa surgiu de uma tradição familiar na área da oftalmologia que remonta a 1898. Eles descrevem o conceito como um Casa da Visão um espaço acolhedor, concebido para que a escolha de óculos seja uma experiência personalizada e sem pressas.

A sua seleção reflete o panorama dos óculos de marcas independentes: marcas francesas como a Ahlem e a Anne et Valentin, a instituição britânica Cutler & Gross, os especialistas japoneses da Eyevan e marcas experimentais, incluindo a Rigards.

Mas a evolução da Escópica, de curadora a criadora, é particularmente significativa. Após oito anos a estudar a construção de armações e a ouvir os clientes na loja, os irmãos lançaram Gramo em 2018. A sua própria marca é desenhada na Cidade do México e produzida por artesãos especializados em Fukui, no Japão.

A Gramo combina referências culturais mexicanas com a precisão da fabricação japonesa. O seu nome une os apelidos dos fundadores, Graue e Moreno, ao mesmo tempo que faz referência a uma das características distintivas de uma armação: o seu peso. A marca demonstra que o fluxo do design de óculos já não provém exclusivamente da Europa ou do Japão para a América Latina. Uma perspetiva distintamente mexicana pode agora coexistir com as marcas internacionais que a Escópica ajudou a introduzir no mercado.

A experiência na loja continua a ser a base do negócio. Um dos primeiros perfis descrevia os candeeiros de hospital herdados do passado médico da família, a jukebox da avó e o mobiliário doméstico escolhido para que os visitantes se sentissem em casa.

Os clientes podem folhear livros, ouvir música ou passar a tarde a tomar um café enquanto escolhem um par de óculos. As consultas de optometria, as lentes de precisão, as reparações e o polimento conferem credibilidade técnica a este conceito. Uma publicação recente no Instagram apresentou uma visita como um momento de pausa, em vez de uma transação convencional.

Isto não é comércio a retalho rápido. É a divulgação de informações sobre os produtos através da hospitalidade.

A expansão da Escópica para Mérida sugere que o público mexicano interessado em óculos de design já não se limita à capital. Para as marcas independentes, a lição é significativa: a América Latina não é simplesmente mais um mapa de distribuição a preencher. O mercado precisa de retalhistas capazes de explicar o artesanato e a proveniência, ao mesmo tempo que traduzem o design global para uma linguagem cultural local.

Num setor dominado por logótipos licenciados e cadeias padronizadas, a vantagem da Escópica não reside na escala, mas sim no contexto. A loja transforma um exame oftalmológico numa experiência de hospitalidade, uma armação num objeto de design e um ponto de venda numa comunidade.