Porque é que os seus óculos não devem custar menos do que o seu iPhone

Apesar do seu papel na vida quotidiana, os óculos continuam a ser um dos produtos mais subvalorizados no mercado do luxo e do estilo de vida. A verdade incómoda sobre os preços dos óculos modernos.

Durante anos, a indústria ótica esteve presa a uma contradição: os consumidores usam os seus óculos todos os dias, muitas vezes durante anos, mas muitos ainda esperam que custem menos do que os produtos que substituem anualmente.

Foto: Jacques Marie Mage

Porquê?

Porque a indústria passou décadas a ensinar aos clientes que os óculos são um negócio de volume.

Ao inundar o mercado com armações com grandes descontos, promoções intermináveis e colecções de moda rápida, o retalho ótico criou um problema de perceção. Os óculos passaram a ser comparados com uma t-shirt e não com o objeto a que mais se assemelham: um smartphone.

Foto: Jacques Marie Mage

Mas, para sermos honestos, os óculos têm muito mais em comum com um iPhone do que com um acessório de moda.

Pense nisso. A maior parte das pessoas substitui os seus óculos numa linha temporal muito semelhante à que utiliza para substituir os seus telemóveis. Ambos são produtos utilizados todos os dias. Ambos são altamente pessoais. Ambos são extensões da identidade. E ambos nos acompanham no trabalho, nas viagens, na vida social e em inúmeras interações diárias.

A diferença é que ninguém questiona o facto de gastar 1200 euros num smartphone que irá substituir dentro de dois ou três anos. No entanto, muitos hesitam quando confrontados com uma armação que custa uma fração desse valor, apesar de ser usada no rosto a cada hora que passa.

Foto: Jacques Marie Mage

Uma nova geração de marcas de óculos independentes compreendeu esta realidade. Empresas como a Sato e Jacques Marie Mage rejeitaram completamente o modelo de fast-fashion. Em vez de perseguirem o volume, concentram-se no artesanato, na escassez, no design e no valor a longo prazo.

A sua mensagem é simples: os óculos não são descartáveis.

Do ponto de vista comercial, esta mudança é igualmente importante. Os retalhistas do sector ótico não beneficiam da mesma frequência de compra que as marcas de moda. Os clientes não regressam todos os meses. Regressam de poucos em poucos anos. Adquirir novos clientes de forma consistente requer investimento, experiência e diferenciação. O preço sustentável não é um luxo; é uma necessidade económica.

Foto: Jacques Marie Mage

É por isso que o futuro do retalho ótico independente pertence a colecções cuidadosamente selecionadas, marcas distintas e produtos que têm um significado para além da função.

Na Curated Optics, acreditamos que a questão já não é saber porque é que os óculos de qualidade superior custam o que custam.

A verdadeira questão é:

Porque é que o objeto que define o nosso rosto deve custar menos do que o dispositivo que temos no bolso?

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