No interior da GLAS Optician, o conceito de Copenhaga que desafia as maiores marcas de óculos de luxo com um design independente, interiores sóbrios e aquilo a que os seus fundadores chamam “o luxo mais raro de todos: uma pessoa a sério”.”
Se nos perguntarem qual é a melhor ótica de Copenhaga, a nossa resposta é imediata: Ótica GLAS.
Trata-se de um conceito que amadureceu naturalmente ao longo de uma década, que compreende o mercado na sua totalidade, mas que opta por o ver de forma diferente. A GLAS investiu em coleções distintas, num design marcante e em relações que vão muito além do retalho convencional. Mesmo agora, à medida que a empresa entra num período de transição, a sua identidade parece mais clara do que nunca.

Fundada em 2016 por Hugo e Havana Benson, a GLAS surgiu da união de dois mundos complementares. Hugo trouxe a sua experiência nas áreas da moda, vendas e design; Havana trouxe um profundo conhecimento na área da ótica e um instinto excecional para o atendimento ao cliente.
A ideia inicial surgiu-lhes junto ao porto de Copenhaga, onde se sentaram a elaborar um plano de negócios sem terem todas as respostas.
“Houve muita intuição envolvida,” recorda Hugo. “Não tínhamos todas as respostas. Simplesmente tínhamos a forte sensação de que havia outra forma de fazer as coisas.”
Esse sentimento tornou-se a base da GLAS.

Uma loja de óculos que se recusa a parecer uma loja de óculos
Quando a GLAS abriu, a Dinamarca contava com poucas lojas de óculos verdadeiramente de luxo. O setor mantinha-se conservador, caracterizando-se frequentemente por espaços previsíveis, marcas conhecidas e uma abordagem meramente transacional em relação aos clientes.
A GLAS quis romper com essa fórmula.
“A nossa ambição nunca foi fazer com que a GLAS parecesse uma loja de ótica convencional com produtos mais caros,” diz o Hugo. “Queríamos criar um ambiente que parecesse mais um encontro entre a moda, o design, o artesanato e as pessoas.”
O objetivo era criar um espaço onde os óculos excecionais e o serviço excecional tivessem o mesmo peso. Mas a GLAS nunca foi concebida para se tornar um conceito estático e definitivo.

“Para nós, o verdadeiro desafio é continuarmos a ser relevantes,” explica Hugo. “Tal como numa relação, não se pode simplesmente partir do princípio de que o que funcionou ontem vai funcionar amanhã. É preciso manter a curiosidade, estar presente e atento. Se deixares de ser relevante, vais desaparecendo aos poucos.”
Essa evolução constante tornou-se especialmente visível quando a GLAS Optik se transformou em Ótica GLAS no final de 2025. Foi muito mais do que uma simples mudança de nome. Por trás disso estava uma plataforma criada para apoiar o próximo capítulo da empresa, potencialmente para além de Copenhaga.
“Nunca nos propusemos a criar algo acabado,” diz o Hugo. “Propusemo-nos a criar algo significativo e a continuar a desenvolvê-lo.”

O Efeito FRAMA
Uma parte importante desse desenvolvimento tem sido a parceria da GLAS com o estúdio de design de Copenhaga FRAMA.
A relação nunca se resumiu apenas à criação de um interior bonito. O Hugo e a Havana conheciam pessoalmente o fundador da FRAMA, Niels Strøyer Christophersen, há anos, partilhando um apreço por materiais autênticos, pela funcionalidade e por objetos que resistem às tendências efémeras.
“Nunca nos interessou particularmente forçar relações ou parcerias simplesmente porque fazem sentido do ponto de vista comercial,” diz o Hugo. “Acreditamos que as pessoas certas, os valores certos e o momento certo têm de se aliar. Quando isso acontecer, deve ter a coragem de avançar.”
Foi exatamente isso que aconteceu com a FRAMA.

A sua linguagem de design sóbria confere às lojas GLAS uma confiança discreta. Os materiais naturais e a geometria simples emolduram os óculos sem os ofuscar. O resultado assemelha-se menos a um espaço comercial convencional e mais a um espaço cultural acolhedor, onde a conversa é tão importante quanto o comércio.
“Os elementos FRAMA não entram em conflito com os óculos,” explica Hugo. “Criam um ambiente tranquilo à sua volta. Permitem que os produtos, as pessoas e a conversa continuem a ser o centro das atenções.”
A parceria veio também confirmar algo que a GLAS já tinha percebido desde o início: os óculos não têm de existir isoladamente. Podem fazer parte de um diálogo mais amplo que abrange a arquitetura, o mobiliário, a arte, a moda e o artesanato.
O objetivo, diz Hugo, é criar “uma empresa moderna sem perseguir a modernidade, luxuosa sem ser excessiva, com uma seleção muito cuidada, mas ainda assim humana.”

Enfrentar os Gigantes
O percurso não tem sido fácil. A GLAS lançou marcas, retirou outras e ajustou repetidamente a sua orientação. Durante a pandemia, tornou-se um dos destinos mais importantes de Copenhaga para a Prada e outras grandes marcas de luxo.
No entanto, a sua ambição inicial, a de criar algo genuinamente independente, nunca desapareceu.

“Sempre mantivemos a curiosidade sobre o rumo que o negócio deveria tomar a seguir,” diz o Hugo. “A base da GLAS sempre foi a visão de criar algo genuinamente independente.”
Hoje em dia, isso significa aprofundar-se no trabalho de designers menos conhecidos e de jovens fabricantes independentes de óculos. A sua seleção não se baseia apenas em nomes famosos, mas sim no artesanato, na autenticidade e nas pessoas responsáveis por cada armação.
O desafio é a visibilidade.

“Podes ter o melhor produto do mundo, mas se ninguém o conhece, não tens nada,” diz o Hugo.
Os clientes confiam, naturalmente, em nomes que já reconhecem. Apresentar um designer desconhecido requer, por isso, conhecimento, convicção e a capacidade de inspirar confiança no produto.
“É aí que entramos,”, explica. “A nossa missão é inspirar confiança em marcas que as pessoas talvez não conheçam, através da seleção cuidadosa de conteúdos, do conhecimento e da experiência.”
Para a GLAS, a verdadeira curadoria não se resume a escolher armações apelativas de um catálogo. Significa estabelecer relações diretas com os fundadores e designers e compreender a visão humana por trás de cada coleção.
“Não se trata apenas do nome de uma marca,” diz o Hugo. “O que importa são as pessoas por trás disso: o designer, o proprietário, a visão e a integridade do produto.”

Duas perspetivas diferentes, uma visão comum
A identidade da GLAS deve-se também ao contraste entre os seus fundadores.
“A Havana e eu viemos de dois mundos muito diferentes,” diz o Hugo. “Ela vem da área da ótica, eu venho da área da moda e das vendas, e, juntas, sempre nos desafiámos mutuamente.”
Em vez de enfraquecerem a parceria, essas diferentes perspetivas tornaram-na mais resiliente.
“Nunca tivemos exatamente a mesma perspetiva,” acrescenta ele, “e, na verdade, acho que isso tem sido um dos nossos maiores pontos fortes.”
Essa mesma filosofia estende-se à comunidade em torno da GLAS.
“Os nossos clientes não são apenas clientes. Os nossos fornecedores não são apenas fornecedores. Os nossos parceiros não são simplesmente empresas a quem compramos. Todos eles passam a fazer parte do ecossistema em torno da GLAS.”

O luxo mais raro não é um logótipo
Apesar de toda a ênfase no design e na curadoria, o elemento mais radical do GLAS pode ser também o mais simples: contacto humano.
Embora o retalho moderno continue a investir em ecrãs, tecnologia, influenciadores e experiências cada vez mais automatizadas, Hugo acredita que a próxima definição de luxo será intensamente pessoal.
“Uma experiência ótica verdadeiramente moderna não se resume a mais postos, mais ecrãs ou espaços maiores,”, diz ele. “Trata-se de criar um ambiente em que as pessoas se sintam à vontade, compreendidas e capazes de confiar em ti.”
Essa confiança transforma os clientes em embaixadores e cria algo que nenhum orçamento publicitário consegue produzir.

“Os seus clientes tornam-se os seus embaixadores mais sinceros,” explica Hugo. “Quando as pessoas confiam verdadeiramente na experiência que tiveram consigo, falam sobre isso, recomendam-no e trazem outras pessoas até si.”
A ambição a longo prazo é internacional. A GLAS está a explorar a forma como o seu universo poderá dar um novo rumo às empresas do setor da ótica já existentes, preservando simultaneamente as suas histórias e valores. Copenhaga pode ser a sua base, mas não tem de ser o seu limite.
“Sempre tivemos uma visão internacional para a GLAS Optician,” diz o Hugo. “Desde o início que percebemos o potencial de levar o conceito para além de Copenhaga.”
A ideia parece surpreendentemente simples: luxo discreto, seleção ousada, serviço excecional e óculos de marcas independentes escolhidos com convicção.
Ou, como diz o Hugo, “o luxo mais raro de todos: uma pessoa a sério.”
Num setor obcecado com o próximo grande nome, essa poderá ser a ideia mais inovadora da GLAS Optician até à data.