Num mercado global há muito moldado pelo património europeu e pela eficiência industrial, LAPIMA é um atelier brasileiro em Campinas onde as molduras são moldadas à mão, à luz e à intuição. Fundado por Gisela Negrão Assis e Gustavo Assis, A marca construiu um culto internacional de seguidores, não através do hype ou da velocidade, mas através de uma sensibilidade escultural enraizada no local, no artesanato e no terreno emocional.
Para a Curated Optics, eles falam sobre as origens, o processo e a filosofia por detrás de uma das vozes mais distintas do eyewear contemporâneo.

Onde a luz e a paisagem se tornam design
“O Brasil oferece uma paleta naturalmente vibrante, com os verdes profundos da Mata Atlântica, os tons terrosos do campo, os azuis expansivos e uma luz quente que suaviza tudo o que toca,”, explicam. “Campinas deu-nos um vocabulário visual que permanece na origem de tudo o que criamos.”
O facto de ter crescido entre a natureza e a arquitetura modernista criou uma compreensão intuitiva das curvas, do equilíbrio e do volume. Estas dualidades urbanas e orgânicas, estruturais e fluidas, estão presentes em todas as silhuetas LAPIMA.
O artesanato como forma de integridade
No atelier da LAPIMA, mais de 30 etapas de fabrico desenrolam-se sob o mesmo teto, uma escala de cuidados que distingue a marca. O atelier é também uma escola de formação de artesãos de raiz.
“O nosso atelier em Campinas é o coração da Lapima. É onde formamos os nossos artesãos desde o início... há beleza neste processo porque protege a verdade criativa na origem da marca.”
Este ritmo comedido poderia colidir com a distribuição global, mas a LAPIMA construiu uma rede de retalhistas que compreendem e celebram o ritmo lento.
“Cada entrega é recebida quase como uma obra de arte.”

A longevidade como princípio de conceção
Num mundo viciado na novidade, as formas de LAPIMA inclinam-se para a permanência.
“A longevidade começa com a forma. Procuramos esculturas... gestos que transportam a verdade desde a primeira linha. Não desenhamos a partir de tendências, mas de estruturas que perduram.”
Os clientes regressam frequentemente para construir colecções pessoais, atraídos pela continuidade tranquila das formas.
“Comunicamos a longevidade pelo simples facto de sermos fiéis ao processo. Cada peça nasce para atravessar os anos.”
O diálogo entre máquinas e mãos
A LAPIMA utiliza acetato italiano espesso não por uma questão de luxo, mas porque permite esculpir literalmente.
“A tecnologia é o primeiro gesto... ajuda-nos a esculpir o acetato com precisão. Depois, são as mãos que assumem o controlo.” Os artesãos refinam, suavizam e revelam a vida tátil dentro de cada moldura.
“A tecnologia esculpe. As mãos revelam a alma.” Esta dualidade reflecte a condição brasileira que os fundadores descrevem: sempre a oscilar entre a precisão e a intuição.

Escalar sem perder o centro
Apesar da procura internacional, a LAPIMA manteve-se totalmente independente.
“Até agora, a Lapima tem sido construída inteiramente por nós os dois. Este envolvimento dá-nos independência criativa.”
O crescimento, para eles, não é uma corrida. “Optamos por crescer lentamente, de forma consciente e sustentável... cada passo é deliberado.”
Esta independência protege aquilo a que chamam o seu “pulso interno”, a sensibilidade singular que torna a LAPIMA inconfundível.
Uma identidade visual enraizada na emoção
A cor, o volume e a textura são frequentemente citados como a assinatura da LAPIMA. Todos os três vêm diretamente da experiência brasileira vivida.
“A cor vem dos verdes profundos e estratificados da Mata Atlântica. A textura vem das folhas grandes... o volume vem da nossa geografia suave e arredondada.”
Mas, por detrás disso, há um sentimento. “O elo emocional é o afeto... a sensualidade discreta do Brasil, a alegria e a beleza do nosso povo.”
Este é o Brasil que eles mostram ao mundo, não os estereótipos, mas o Brasil subtil e cultivado que habitam.
A mentalidade LAPIMA
Para os fundadores, o seu cliente é definido menos pela demografia e mais pela sensibilidade.
“A pessoa Lapima move-se. Viaja, observa, visita museus, adora a dança e o corpo, ouve música clássica e rock'n'roll. Escolhe com intenção.” Acima de tudo, reconhecem a autenticidade. “Sentem quando um objeto tem alma.”

Sustentabilidade como impacto humano
Para além de produzir em pequenas quantidades e evitar excessos, a LAPIMA associa a sustentabilidade à comunidade.
“Temos uma escola interna que forma artesãos da comunidade local... atualmente, dezenas de mulheres constroem as suas carreiras no nosso atelier.”
Para eles, a durabilidade é a forma mais honesta de sustentabilidade: “Uma moldura concebida para durar respeita o material e o mundo.”
Criatividade brasileira sem clichês
A estética de LAPIMA distingue-se precisamente por não imitar os códigos visuais europeus dominantes.
“A nossa sofisticação vem de outra paisagem... do design brasileiro, das curvas esculturais, da profundidade das nossas cores, da forma como a luz molda a natureza e as cidades.”
Sua missão é representar o Brasil com profundidade: “Evitamos estereótipos. Revelamos o Brasil que realmente vemos.”
O que vem a seguir
À medida que a marca cresce, os fundadores vêem com naturalidade a expansão de novos materiais, novas conversas com a arquitetura e a arte, mas sem pressas.
“O futuro da Lapima será construído com a mesma consciência e intenção que moldaram o seu início.”
Eles imaginam uma marca que continua a evoluir, sempre com precisão, sempre com honestidade emocional.
“Queremos levar a marca até onde ela merece ir, sem perder a essência que nos trouxe até aqui.”

A história da LAPIMA é, em última análise, uma história de clareza de visão, de intenção e de uma identidade criativa profundamente enraizada que se recusa a ser diluída pela velocidade ou pelas convenções. Desde as paisagens de Campinas, banhadas pela luz, até às mãos dos artesãos locais que dão forma a cada curva, a marca prova que o verdadeiro luxo emerge da profundidade e não da aceleração.
À medida que Gisela e Gustavo continuam a aperfeiçoar a sua linguagem escultural, permanecem ancorados nos princípios que definiram o seu início: independência, artesanato e uma sofisticação distintamente brasileira que enriquece o panorama global do eyewear. O futuro da LAPIMA pode ser desdobrado em novos materiais, novas colaborações e novos diálogos, mas a sua essência permanece inabalável: objectos feitos com honestidade, construídos para durar e nascidos de uma intenção artística genuína.
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